10 de Setembro de 2013

Report: notícias

4º encontro g4 - governança: como atender novas exigências para reportar

 

Poucas companhias conseguem incluir valores intangíveis nas estratégias e modelos de negócio, sobretudo quando falamos de impactos indiretos e riscos potenciais. Explicitar os processos para tomada de decisão nas empresas é o grande desafio de transparência proposto pelos especialistas em governança corporativa.

Em 2001, a fraude na empresa Enron baseou-se na apresentação aos investidores de resultados financeiros que não condiziam com a saúde da empresa. Na época, a organização acumulou dívidas em papeis que chegaram a US$100 bi. Este caso foi o primeiro de uma série relacionada a problemas de governança em grandes empresas norte-americanas e europeias como Parmalat Tyco, Royal Ahold e WorldCom. Por outro lado, despertou debates e mecanismos para garantir maior clareza na gestão, como a lei Sarbanes-Oxley, que em 2002 estipulou onze elementos básicos de prestação de contas e transparência.

No Brasil, o lançamento do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em 1999, foi um marco nas discussões sobre o tema. As revisões do documento - a última realizada em 2010 - expandiram a aplicação dos princípios do Código, deixando de se limitar apenas aos Conselhos de Administração e definindo governança corporativa como “o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle”.

Os quatro princípios básicos sinalizados pelo IBGC são transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Este último reforça que o papel de decisão sobre os temas de sustentabilidade envolvem participação das esferas diretivas das organizações. O contexto de crises econômicas na última década e instabilidade das organizações reforçou o papel das boas práticas de governança como importante elemento de sustentabilidade. A dinâmica dos processos decisórios das empresas, portanto, passaram a ocupar um espaço entre os pilares do triple-bottom line.

Neste cenário, o relato corporativo também tem a função de trazer elementos sobre a governança das organizações, o que foi reforçado na última geração de diretrizes da GRI, a G4. De modo geral, os denominados “itens de perfil” na última versão de diretrizes (G3) passaram, na G4, a requerer mais detalhes sobre as estratégias e o processo de elaboração do relatório, com destaque para uma nova seção denominada “ética e integridade”.

Como vimos anteriormente, está entre os objetivos da G4 aproximar as lideranças das organizações aos temas não financeiros e aumentar a integração destes temas às informações financeiras. Por isso, a GRI propõe uma abordagem mais complexa e detalhada sobre o relato das informações sobre governança. Um retrato disso é o aumento de 10 para 22 itens que devem ser respondidos no nível mais completo de reporte (Comprehensive).

Entre os principais destaques em governança, a G4 encoraja as empresas a relatarem quais são as estratégias e metas relacionadas à mitigação de seus impactos e riscos e, também, sobre como é avaliado o desempenho dos órgãos de governança. Outros itens buscam detalhar o papel dos órgãos de governança na gestão desses riscos e no relato da sustentabilidade - questão que tenta aproximar ainda mais o processo de relato da liderança. Contudo, a principal novidade é a necessidade de reportar os critérios de remuneração e incentivos, bem como de recrutamento, motivação e retenção de executivos para alcançar objetivos estratégicos - claro, com referências aos impactos econômicos, sociais e ambientais.

Desafiadoras, as demandas da GRI deverão esbarrar em restrições no relato, sobretudo em as empresas que tratam da remuneração, por exemplo, como informação de cunho confidencial. No entanto, ao explicitar tais critérios e estratégias abrigados na governança corporativa, as organizações demonstram com qual qualidade e seriedade os temas críticos são endereçados.

Veja como foram os encontros anteriores:

3º encontro - a dimensão do engajamento demandado pela GRI e pelo mercado

2º encontro - materialidade: ferramenta central da sustentabilidade

1º encontro - mapa para o caminho da sustentabilidade