5 de Dezembro de 2013

Report: notícias

2013, um relato

Eis que o ano de 2013 vai chegando ao fim como, provavelmente, o mais movimentado da história dos relatos em sustentabilidade. O ano que vê surgir a versão G4 das diretrizes GRI, inclusive com a nova versão da taxonomia Extended Business Report Language (XBRL), também foi marcado pela concretização da metodologia do relato integrado, com o lançamento do draft das diretrizes e outras publicações sobre o tema, e pelo surgimento da ferramenta Salterbaxter, que estabelece parâmetros para medir e melhorar a eficiência dos relatórios de sustentabilidade, além de mapear benchmarkings nos diversos aspectos de relato. Outro destaque do ano, o Relato Integrado, foi tema de publicação e grupos de estudo conduzidos pela Report Sustentabilidade.

No Brasil, 2013 terminou com o projeto de lei que estabelece a obrigatoriedade de relatos anuais de sustentabilidade avançando no Congresso Nacional ao mesmo tempo em que o Banco Central prepara uma medida semelhante para as instituições financeiras.

O ano que vem não vai ser igual àquele passou

Com o lançamento da versão G4 das diretrizes GRI, em maio deste ano, e da sua versão em português, em dezembro, a perspectiva é que, já em 2014, tenhamos um número considerável de empresas relatando com base nesse novo modelo. Além da movimentação natural a qualquer mudança, a G4 pode contribuir para aumentar a qualidade técnica dos relatórios, ao mesmo tempo em que torna suas plataformas de coleta de dados e apresentação mais amigáveis, aumenta o foco nos temas realmente relevantes para as empresas e suas partes interessadas e facilita o alinhamento da metodologia GRI a outros protocolos, como Relato IntegradoXBRL.

A Report preparou um hotsite que ajuda a entender como serão os relatos baseados na GRI daqui em diante.

#Taxonomia

Uma das demandas que profissionais da área de sustentabilidade esperam ver atendidas pela G4 é a facilitação da taxonomia das informações. Explicando: taxonomia é uma espécie de pré-codificação que possibilita a atribuição de temas, as chamadas tags (aquelas mesmas que vemos no Twitter ou Instagram precedidas do sinal #), às informações coletadas. Essas tags podem estar relacionadas a um aspecto ou indicador específico, por exemplo, a tag #EN8 pode ser atribuída às tabelas de consumo de água. Uma vez que essas tabelas estejam incorporadas a uma plataforma comum, é possível coletá-las, compará-las e rastreá-las apenas pesquisando pela tag.

Outro resultado imediato da taxonomia é possibilitar o intercâmbio de informações entre protocolos diferentes (XBRL e Relato Integrado, por exemplo) ou versões diferentes de um mesmo protocolo (GRI G3.1 e G4).

A taxonomia da GRI para a G4 foi lançada, por enquanto somente em inglês, no final de novembro, e está disponível para download  no site da entidade. 

"Existe relatório mais efetivo do que o meu?"

Outra novidade de 2013 foi o lançamento pela consultoria inglesa Salterbaxter de uma ferramenta para avaliar a eficácia dos relatórios de sustentabilidade: Sustainability Report Effectiveness Tool (SRET), em português “Ferramenta de Eficácia de Relatório de Sustentabilidade”.

O SRET ajuda organizações relatoras a mensurar a eficácia das informações apresentadas nos relatórios em cinco dimensões – ambição, credibilidade, comunicação, desempenho e estratégia – e compara os resultados com os da empresa com o relatório mais bem avaliado no setor. A avalição final é disponibilizada para impressão e download em pdf. Totalmente em inglês, a SRET está disponível para download gratuito.

Na letra da lei 

O ano que está terminando também marca um avanço da sustentabilidade como pauta do governo brasileiro. No Legislativo, o projeto de lei 289/2012, que obriga empresas de capital aberto a apresentar relatório anual de sustentabilidade, foi examinado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, e seguiu para as comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), de onde deverá ser remetido ao plenário.

Segundo o deputado Vital do Rego, autor do projeto, apenas uma em cada cinco companhias brasileira de capital aberto tem por prática a elaboração do relatório e, geralmente, por exigência dos investidores estrangeiros (para ler mais: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2013/08/30/relatorio-de-sus...).

Já o Banco Central (BC) segue com a preparação do Edital 41, que estabelece a obrigatoriedade do relatório para instituições financeiras, entre outras medidas de responsabilidade social. Depois da audiência pública, realizada em 2012, o BC se dedicou a analisar as sugestões recebidas e aprimorar a medida. A expectativa é que a versão final seja divulgada e implementada nos próximos meses.

Integrar para entregar valor

Neste ano, a publicação de uma versão de avaliação do framework da primeira versão das diretrizes para relatos integrados consolidou essa nova metodologia como uma das tendências para os relatórios nos próximos anos. Outros documentos publicados ao longo do ano e a versão definitiva das diretrizes, com publicação prevista ainda para este mês, colaboram para que, já no próximo ano, haja um aumento considerável de empresas relatando baseadas ou, no mínimo, inspiradas por essa metodologia. Ao longo de 2013, a Report publicou “Relato Integrado – uma perspectiva brasileira” (http://www.reportsustentabilidade.com.br/2013/relato-integrado) e conduziu grupos de estudos no Rio de Janeiro e São Paulo.