14 de Abril de 2015

Report: notícias

o que as empresas terão que relatar em 2025

GRI inicia trabalho para mapear o futuro dos relatórios e as primeiras descobertas já apontam para expectativas cada vez maiores sobre as empresas e o seu papel na sociedade

Nelmara Arbex, como vice-presidente da Global Reporting Initiative, liderou os trabalhos que resultaram no lançamento das diretrizes G4 há dois anos. Agora, como assessora chefe para inovação da GRI, ela enfrenta uma tarefa ainda mais desafiadora: mapear qual o futuro do relato de sustentabilidade.

PhD em Física Teórica pela Universidade de Marburg, Alemanha, e pós-graduada em negócios sustentáveis da Universidade de Cambridge, Reino Unido, com longa experiência em sustentabilidade e negócios, Nelmara tem conduzido esse trabalho conversando com líderes empresariais e especialistas de mais de trinta países. Os resultados devem sair em um ano, mas, nesta entrevista, ela conta um pouco do que já descobriu.

reportnews: Qual o objetivo da GRI com o projeto Reporting 2025?

Nelmara Arbex: A GRI quer criar um ambiente de discussão para saber o que é preciso fazer para avançar rumo a uma economia sustentável e como o processo de prestação de contas pode ajudar nesta transição. Queremos descobrir quais as questões que, daqui a dez anos, estarão nas agendas da sociedade e das empresas e, portanto, em seus relatórios. Como os desafios da sustentabilidade e da era digital irão influenciar os negócios, quais indicadores farão sentido, para quem os resultados empresariais serão apresentados e qual o formato.

reportnews: Quem já se envolveu nessa discussão?

Arbex: Conversei com dezenas de especialistas como Pavan Sukhdev, que liderou o estudo TEED, sobre a economia dos ecossistemas e da biodiversidade; Paul Simpson, CEO do Carbon Disclosure Project; e com líderes empresarias como Paul Boykas, vice-presidente de políticas públicas e relações governamentais da PepsiCo, Roberto Waack, fundados e presidente do conselho da Amata; Marjan Smit, CEO da Transparent Suply Chains (SIM); e Marjella Alma, CEO da eRevalue. Sukhdev, por exemplo, vislumbra que as empresas terão que medir e reportar as externalidades resultantes dos seus negócios de forma muito mais detalhada e inter-relacionada do que podemos imaginar hoje. Roberto, Marjella e Simpson acreditam que as empresas terão que explicar o gap entre a performance dos seus negócios e os objetivos maiores da sociedade. Marjan acha que tudo se resumirá em quanto as empresas podem relatar sobre suas cadeias de fornecedores.

Em geral, todos concordam que a coerência entre o que as empresas falam e fazem vai ser verificada constantemente, em tempo real. Todas as entrevistas podem ser acessadas no site do projeto e os comentários são bem-vindos. Precisamos fomentar esse debate.

reportnews: Quais os tópicos deverão fazer parte da prestação de contas das empresas nesse futuro próximo?

Arbex: As empresas terão que prestar contas sobre a sua cadeia de valor por meio de supply chain reports; os relatórios serão profundamente integrados, ou seja, a estratégia, a gestão e a performance das empresas serão integradas e assim serão seus relatórios; haverá a necessidade de métricas inovadoras para medir a contribuição das empresas para temas como direitos humanos, proteção dos ecossistemas, erradicação da pobreza, externalidades etc. A partir de insights que surgiram nas entrevistas, podemos dizer que os relatórios terão que mostrar mais claramente como as empresas contribuem para enfrentar os grandes problemas globais.

Por exemplo: como o poder de compra pode mudar a sociedade, quais negócios combatem a pobreza relacionada às mudanças climáticas, como viver em uma economia circular, quais negócios protegem os ecossistemas, em que empresas a sociedade pode confiar.

reportnews: Confiança será um diferencial competitivo, então?

Arbex: Sim, confiança será um desafio para todo mundo. Demonstrar coerência entre o que se fala e o que se faz será crítico. Viveremos num tempo de real-time report, ou seja, a informação sobre o desempenho das empresas e sua contribuição para a sustentabilidade estará disponível em tempo real e poderá ser checada por qualquer um a qualquer momento. Seus stakeholders terão ferramentas para montar o seu próprio relatório da empresa. Não será preciso esperar o lançamento do relatório da empresa. As empresas podem assim perder o controle do que chamamos “relatório”. As ferramentas de busca do futuro garantirão o acesso a essas informações. Os stakeholders poderão entender o que quiserem, do jeito que quiserem.

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