11 de Abril de 2013

Report: notícias

GRI G4 vem aí, com foco na materialidade

 

Utilizada por mais de 1,5 mil organizações ao redor do mundo, a metodologia de relato da Global Reporting Initiative (GRI) completará 13 anos com sua estrutura repaginada. A Conferência Global sobre Sustentabilidade e Transparência da organização, que ocorrerá em maio, na Holanda, terá em sua programação o lançamento da G4, nova geração das Diretrizes GRI para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade. 
 
Em sequência à G3.1, publicada há dois anos, o documento trará mudanças nas orientações que as empresas devem seguir para comunicar aspectos de gestão de fornecedores, procedimentos anticorrupção, cadeia de valor e emissões, por exemplo. A materialidade é elemento central: da seleção e organização do conteúdo à forma de reportar os indicadores, tudo deve passar pelo crivo do que é ou não relevante segundo a empresa e os públicos com os quais se relaciona.
 
Outro ponto crítico é o dos níveis de aplicação: a proposta é substituir o atual sistema de níveis C, B e A por um novo critério para estar “de acordo” com as diretrizes. Como era de se esperar, a proposta, apresentada em consulta pública no ano passado, gerou polêmica – e é uma das que devem sofrer mais alterações na versão final do texto, a ser fechada às vésperas da Conferência Global.
 
As diretrizes GRI ganharam adesão por oferecer um modelo para que organizações de diferentes portes, setores e nacionalidades apresentem seu desempenho em sustentabilidade. Hoje, 95% das 250 maiores companhias do mundo publicam algum tipo de prestação de contas sobre o tema – aqui no Brasil, terceiro país com mais publicações baseadas na metodologia, 88 das cem maiores fazem o mesmo. Somente em 2010, mais de 160 relatórios nacionais foram registrados na GRI. Não à toa, o País foi o primeiro a receber um Ponto Focal da organização – braço operacional que articula parceiros e promove eventos e capacitações em regiões-chave.
 
Em novembro de 2012 e março deste ano, a equipe nacional da GRI organizou, em São Paulo, pré-conferências para discutir temas que centrarão as mesas-redondas na Holanda. O presidente da organização, Ernst Ligteringen, veio na edição mais recente especialmente para falar sobre a G4 – e destacou, entre as mudanças do documento, a terminologia mais simples, o foco em temas relevantes (materialidade) para a gestão e a comunicação e, claro, as novidades no sistema de níveis de aplicação.
 
“A G4 será apresentada de forma diferente das versões anteriores. Os itens a serem relatados estão separados das explicações de como relatar – isso porque boa parte deles só será relevante se selecionada pelas organizações como tema material”, diz a brasileira Nelmara Arbex, vice-presidente da GRI. 
 
De acordo com Nelmara, o documento deve passar por aprovação final pelos líderes da organização ainda em abril. “O que posso adiantar é que haverá, na G4, uma proposta nova de critérios para estar ‘de acordo’ com as diretrizes, dividida em dois formatos. Em ambos, a organização é convidada a desenvolver um processo para selecionar os tópicos materiais – ou seja, críticos para a continuidade do negócio e/ou para a sociedade – a partir das diretrizes. Devem ser reportados os aspectos identificados dessa forma”, explica. Outro ponto relevante, segundo a vice-presidente, é a mudança prevista nas normas de omissão, usadas caso a organização não deseje reportar algum dado essencial.
 
A preparação da G4 começou logo após o lançamento da G3.1, espécie de intermediária entre a terceira e a quarta versões, e envolveu consultas aos diversos públicos da organização ao redor do mundo. Em 2012, dois períodos de consulta geraram quase 2,5 mil revisões do rascunho das diretrizes. Além disso, os pontos focais organizaram 68 workshops ao redor do mundo – oito dos quais no Brasil –, com a participação de mais de 2,2 mil pessoas, para discutir as mudanças propostas. 
 
De acordo com Glaucia Terreo, líder do Ponto Focal no Brasil, esses materiais forneceram bons insumos para melhorar o documento. “O período de consulta pública nos permitiu obter opiniões e informações preciosas dos usuários das diretrizes GRI”, argumenta. “Tudo o que foi recebido no processo de feedback foi analisado e, em muitos casos, há mudanças no documento final em função das percepções do público.”
 
Apesar das boas expectativas, a G4 deve representar um desafio e tanto para as empresas, mesmo para aquelas que já utilizam as diretrizes há mais tempo. O rascunho apresentado em 2012 continha uma série de novos indicadores, e alguns, como os relacionados à cadeia de valor e aos fornecedores, demandarão práticas consistentes de gestão para ser totalmente respondidos. Por isso, durante dois anos, os usuários poderão recorrer a versões anteriores à hora de aplicar a G4. Com base nessas primeiras experiências, a GRI ainda terá como aplicar novos ajustes no texto até meados de 2014. Para se manter a par do processo de desenvolvimento das novas diretrizes, clique aqui.