23 de Maio de 2013

Report: ensaio

as mudanças da G4

A Global Reporting Initiative (GRI) apresentou ao público, na manhã de ontem (22), durante sua Conferência Global em Amsterdã, as novas diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. Com o nome de G4, o documento lança um novo desafio às companhias que publicam balanços socioambientais: comunicar seu desempenho social, econômico e ambiental com foco no que é realmente relevante para o negócio, considerando temas materiais e processos mais detalhados de definição de conteúdo.

Em sequência à versão G3.1, lançada em 2011, a G4 traz uma série de mudanças, já sinalizadas nas consultas públicas que a GRI fez ao longo de 2012. A principal - que divide opiniões desde os primeiros rascunhos - é o fim dos níveis de aplicação (A, B e C), que distinguiam os relatos conforme o volume de informações e indicadores reportados.

Agora, à hora de declarar sua adesão às diretrizes GRI, a organização deve informar se o relatório está “in accordance” (“de acordo” ou “em conformidade”) com o estabelecido nelas. Dentro desse nível, há duas subdivisões: “core” - para empresas que definiram seu conteúdo com base em processos de materialidade, relatando o que é mais relevante para o negócio - ou “comprehensive”, para quem optar por publicar todos os 91 indicadores das diretrizes.

Na prática, isso significa que, agora, um relatório poderá conter apenas os dados que estão diretamente ligados aos impactos e negócios das companhias - mesmo que isso signifique a publicação de apenas meia dúzia de indicadores, por exemplo.

Por outro lado, caso opte por esse modelo mais “enxuto”, a organização deverá elaborar uma matriz de materialidade robusta, envolvendo seus públicos de modo efetivo, para conseguir identificar quais os indicadores essenciais para divulgação externa. As orientações para esse processo também constam do documento.

Em breve, a G4 vai ganhar versão em português. O texto será lançado em setembro, segundo Glaucia Terreo, líder do Ponto Focal da GRI no Brasil, com uma série de eventos espalhados pelo País.

O que mudou

A principal diferença entre o rascunho e a G4 lançada em Amsterdã está em um tema muito questionado pelos participantes da consulta pública: a questão de cadeias de suprimentos (supply chain). A proposta original era reunir uma série de novos indicadores e orientações para relatar as diferentes questões que envolvem o relacionamento entre as empresas e seus fornecedores - considerando novos temas ambientais, de direitos humanos e de conduta.

Mas a complexidade desses indicadores acabou não sobrevivendo na versão final: em um caminho já aberto pela G3 e pela G3.1, a G4 traz orientações para que as organizações descrevam sua cadeia, identificando impactos, práticas de compras e como se dá o monitoramento dos fornecedores e dos canais de diálogo.

Outro ponto é a interface entre as diretrizes GRI e o trabalho do International Integrated Reporting Council (IIRC). O grupo elabora, atualmente, o primeiro framework para que organizações desenvolvam relatórios integrados, capazes de comunicar a um só tempo dados de desempenho financeiro e não financeiro. “Não temos tempo para não colaborar com esse movimento”, alertou Mervyn King, ex-chaiman da GRI e atual presidente do Conselho do IIRC.

O que fica

Uma pergunta que estava sem resposta à época da consulta pública: qual o futuro dos Suplementos Setoriais? Esses documentos, que, de modo complementar às diretrizes GRI, traziam indicadores para empresas de segmentos específicos, como finanças, mineração, mídia e alimentação, permanecerão essencialmente os mesmos. Passarão, somente, por uma adaptação para estar em conformidade com o texto da G4, mas sem inclusão de novos indicadores.

O uso dessas ferramentas, porém, deve ganhar maior consistência. Isso porque a definição de temas materiais para um negócio deverá, também, considerar os indicadores setoriais, reportando somente o que for essencial para mostrar os impactos positivos e negativos de um negócio. Hoje, há dez suplementos publicados.

Pra valer

A GRI estabeleceu um prazo máximo de dois anos para que as empresas adotem a G4 à hora de publicar seus relatórios - é o equivalente a dois ciclos de relato, na maioria dos casos. Como as novas diretrizes têm formato mais amigável, de acordo com os realizadores, a expectativa é que já haja mais adesões nos relatos referentes a 2013, com lançamento no ano que vem. No entanto, há quem queira se adiantar: um dos clientes da Report, por exemplo, planeja lançar seu primeiro relato G4 no terceiro trimestre de 2013.

+ Faça o download das novas diretrizes aqui.