24 de Maio de 2013

Report: notícias

GRI quer relato de grandes empresas até 2015

Um novo conjunto de diretrizes de relato, debates sobre os mais diversos temas, definição de materialidade, relatório integrado e a política de “Relate ou explique”. A Conferência Global sobre Sustentabilidade e Relato, organizada pela Global Reporting Initiative (GRI), reuniu um público de 1,5 mil pessoas em Amsterdã, Holanda, ao longo desta semana (21 a 23 de maio), para discutir os principais aspectos que envolvem a produção de relatos que abordam a sustentabilidade.

Com a participação de líderes de governo e representantes de empresas, da academia e da sociedade civil de dezenas de países, o encontro foi encerrado com uma série de palestras que alertaram sobre a importância de levar à prática, imediatamente, a integração da sustentabilidade aos negócios.

No discurso de encerramento, Herman Mulder, presidente do Conselho da GRI, foi enfático: “Estamos convocando todos para uma maior cooperação. Queremos acelerar, intensificar e levar à prática a agenda que defendemos”. Em referência ao presidente da GRI, Ernst Ligteringen, que estabeleceu como meta que todas as grandes empresas publiquem relatórios de sustentabilidade até 2015, Mulder reforçou de que modo esse desafio se traduz em números: “Isso significa que 18 mil companhias na Europa e 9 mil na Índia deverão aderir à prática nos próximos dois anos”, exemplificou.

A maior expectativa em relação aos três dias de evento era o lançamento da G4, nova versão das Diretrizes para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade, hoje utilizadas por mais de 1,5 mil organizações ao redor do mundo.

Com a proposta de enfatizar temas relevantes para o negócio e incentivar empresas a mapear sua cadeia de valor, a G4 vem para aquecer o debate sobre a comunicação de desempenho das organizações. Entre as novidades do novo texto, estão o fim dos níveis de aplicação, a mudança no sistema de assurance e novos indicadores e orientações para empresas que desejam relatar somente o que é material para suas operações e negócios (confira o texto sobre as mudanças da G4 aqui).

Para contribuir com as discussões, diversos movimentos globais se fizeram presentes na Conferência: dos defensores da “Relate ou Explique”, política que incentiva empresas listadas a publicar relatórios ou, ao menos, explicar por que não o fazem, a governos que exigem a prática (como a Dinamarca) e grupos que estudam a integração de relatórios financeiros e não financeiros - com destaque para o International Integrated Reporting Council (IIRC).

Outro momento relevante da programação foi a plenária inicial do segundo dia, em que Michel Barnier, da Comissão Europeia, liderou um bate-papo sobre o enfrentamento da crise e as lições que podem ajudar a reerguer a economia global sob um novo modelo de desenvolvimento. “A Europa não está aqui para ensinar lições a nenhuma outra parte do mundo. Mas acredito que nossas novas regras podem servir como fonte de inspiração para muita gente”, afirmou.

Os painéis de debate trataram temas diversos de gestão socioambiental, como a abordagem da cadeia de fornecimento nas novas diretrizes GRI, a visão da academia e os principais caminhos para o engajamento de stakeholders. Um deles falou sobre os processos de materialidade e os limites e desafios apontados pela G4, citando o estudo “Materialidade no Brasil: como as empresas relatam os temas relevantes”, elaborado pela Report e lançado em novembro de 2012 (acesse a pesquisa aqui).

Ao final, a percepção geral dos palestrantes era a mesma: de que somente o compartilhamento de valores e visões entre sociedade civil, governos e organizações permite o ingresso efetivo da sustentabilidade nas tomadas de decisão, estratégias e práticas cotidianas das empresas - grandes ou pequenas, multinacionais ou locais. Nas palavras do presidente Ernst Ligteringen, no discurso que abriu a conferência em Amsterdã: “A prática de relatar só se tornará padrão entre as empresas ao redor do mundo quando for apoiada e incentivada por todos.”