30 de Julho de 2013

Report: notícias

Perspectivas, comunicação e assurance: destaques da Pós-Conferência GRI

 
Representantes de empresas, consultorias e da Global Reporting Initiative (GRI) se reuniram ontem na sede da BM&FBovespa, em São Paulo, para a Pós-Conferência GRI, encontro que promoveu a troca de experiências e trouxe percepções expandidas sobre a Conferência Global sobre Sustentabilidade e Relato, realizada em Amsterdã, em maio.
 
Durante a manhã, as empresas e consultorias apresentaram visões sobre os planos futuros relacionados à G4, nova versão das diretrizes.  Representando a Sanasa, empresa responsável pelo abastecimento de água da região de Campinas (SP), Adriana Leles reforçou o papel das organizações públicas na criação de uma cultura de transparência. “A G4 vem, principalmente, para incentivar a aproximação com os stakeholders. Para uma empresa que presta um serviço público, significa responder à vontade da sociedade, por meio de uma gestão integrada e da comunicação de desempenho clara e aberta”, disse.
 
Roberto Waack, da Amata Brasil, empresa do setor florestal que atua em toda a cadeia da madeira, destacou a combinação entre o relato integrado e a G4 como caminho para a melhoria das práticas corporativas e reforçou a necessidade de considerar aspectos não financeiros na gestão. “Diversos passivos que hoje são morais serão legais no futuro. Por isso, é importante que as empresas incorporem os impactos negativos e positivos e saibam identificá-los no diálogo com seus públicos”, acredita.
 
Com foco no mercado financeiro, a segunda mesa de debate reuniu executivas do Santander, da Sulamérica e da BM&FBovespa para debater o desafio de sensibilizar investidores, profissionais e empresas do setor para a sustentabilidade. 
 
Denise Nogueira, do Itaú Unibanco, mencionou a normativa, a ser lançada ainda em 2013 pelo Banco Central, que regula a publicação de políticas e balanços socioambientais pelas instituições financeiras. “Essa regulação não veio do nada; resulta de anos de aprendizados do setor para comunicar seus resultados não financeiros”, relata a gerente de sustentabilidade. Também ressaltou a importância da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) no trabalho realizado com o Protocolo Verde.
 
E a comunicação?
 
Para além das melhorias necessárias à gestão, representantes de consultorias e agências de comunicação corporativa discutiram como adequar os relatos à nova  proposta de diretrizes, que sugere detalhamento da identificação dos temas materiais e incentiva relatos concisos e focados no que é relevante para o negócio.
 
Os participantes apontaram a integração de plataformas, a adaptação da linguagem às necessidades dos stakeholders e o maior foco do relato (apoiado nos processos de materialidade) como formas de as empresas construírem reputação ao mesmo tempo em que aprimoram seus modelos de negócio.
 
“A GRI propõe desafios de gestão, e não só de comunicação. Cada vez mais as empresas terão de explicar como dialogam com os stakeholders e como os temas materiais são mapeados e ligados à estratégia”, afirmou Estevam Pereira, sócio-diretor da Report. “A mudança que a G4 sugere aos comunicadores e às empresas é estabelecer planos para que a sustentabilidade vá além do relato, integrando as ações de comunicação interna, externa e de marketing ao longo de todo o ano”, complementou.
 
Requisitos, asseguração e conhecimento
 
Durante a tarde, Cecília Balby, consultora independente, e Maria Sulema Pioli, da ERM, apresentaram os requisitos da G4 para a definição da estrutura e do conteúdo dos relatórios GRI. Para ambas, as quatro fases da materialidade propostas pela G4 – identificação, priorização, validação e revisão – são um caminho preciso para definir como e quais assuntos devem ser abordados. 
 
“É preciso, também, indicar onde os temas relevantes se apresentam ao longo da cadeia, e isso vai exigir um mergulho nas práticas da cadeia de suprimentos, por exemplo”, disse Maria Sulema Pioli. “Cabe às empresas, também, informar se ainda não há uma gestão capaz de trazer dados precisos sobre os impactos de fornecedores e parceiros.”
 
Outra mesa trouxe à tona o debate sobre as metodologias de asseguração e o papel desses processos no relato da sustentabilidade. Maria Helena Meinert, da BSD Consulting, Carlos Silva, da KPMG, e Alex Veryuurt, da BVQI, explicaram seus métodos e levantaram acalorados debates sobre a importância do processo de assurance, suas atuais características e como o detalhamento da asseguração, indicada item a item na nova tabela GRI, poderá contribuir para que os pareceres sejam entendidos como oportunidade para melhoria do processo de gestão da sustentabilidade nas empresas.
 
Ao fim do encontro, publicações lançadas durante a Conferência GRI em Amsterdã foram apresentadas ao público por Gláucia Terreo, da GRI, Sonia Favaretto, da BM&FBovespa, e Sidney Ito, da KPMG (que ajudou a elaborar a pesquisa Carrots and Sticks, sobre regulações e iniciativas de mercado em relação a relato de sustentabilidade). Destaque para a fala de Sônia Favaretto, durante a apresentação da pesquisa GRI sobre relatório integrado, intitulada The Sustainability Content of the Integrated Reports – a Survey of Pioneers: “Não poderíamos falar de Relatório Integrado se não fosse o trabalho dos Relatórios de Sustentabilidade que viemos desenvolvendo. Acredito que a discussão sobre RI é um caminho para a próxima década”.
 
Leia mais
 

+ Artigo de Estevam Pereira sobre a G4. 

+ Aqui, mais sobre a G4 no site da GRI.