29 de Agosto de 2013

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materialidade em 10 perguntas (parte 1)

O que é preciso saber sobre o princípio norteador da gestão e do relato de sustentabilidade? Em uma série especial de cinco posts, vamos direto ao ponto para explicar melhor o que é materialidade, tema que está no centro das atenções da nova versão das diretrizes da GRI.

 

1) O que é materialidade?

Materialidade é um princípio nascido no mundo das ciências contábeis
e de auditoria e que acabou incorporado pela sustentabilidade. Há diversas definições em circulação:

  • Na clássica definição contábil da Financial Accounting Standards Board (Fasb), “a omissão ou distorção de um item em um relatório financeiro é material se, à luz das circunstâncias, a magnitude do item é tal que é provável que o julgamento de uma pessoa razoável confiando no relatório tenha sido alterado ou influenciado pela inclusão ou correção do item.”
     
  • Na definição da norma AA1000 da AccountAbility Principles Standard, “a materialidade é determinada pela relevância e pela importância de uma questão. Uma questão material irá influenciar as decisões, as ações e o desempenho de uma organização ou de seus stakeholders”.
     
  • Na definição do International Integrated Reporting Council (IIRC), “um assunto é material se, na visão da alta direção e daqueles encarregados pela governança, ele for de tal relevância e importância que poderia influenciar significativamente as avaliações do público-alvo inicial de usuário do relatório com relação à capacidade da organização para criar valor no curto, médio e longo prazo”.
     
  • Na definição da Global Reporting Initiative (GRI), materialidade traz os aspectos que refletem impactos significativos (econômicos, ambientais e sociais) da organização ou influenciam as avaliações e decisões dos stakeholders. A materialidade é o limiar em que aspectos se tornam suficientemente importante para serem relatados”.

 

2) Vocês poderiam ser mais claros?

Alguns exemplos ajudam a entender a materialidade na prática:

  • No caso de uma indústria automobilística, um tópico material é a segurança dos usuários dos veículos. Em contrapartida, reciclagem de papel não seria material para esse setor.
     
  • Para um banco, educação financeira é um tema material. Já investimento em uma campanha anticâncer não seria material para essa organização.
     
  • Em uma indústria de alimentos, obesidade é um assunto material. Diversidade, por outro lado, a princípio não seria.

 

3) Mas a materialidade abrange apenas temas socioambientais?

Não, todos os tópicos econômicos que impactam a organização ou seus stakeholders, comprometendo a capacidade de criar valor compartilhado no curto, médio e longo prazo, também são materiais.

4) O que mudou na materialidade com o lançamento da G4, a nova versão das diretrizes GRI?

  • A materialidade passou a ser obrigatória para os relatórios G4.
     
  • A materialidade também deixou de ser genérica para se tornar bem mais detalhada. Para cada tópico material, o relatório deve mostrar:
  • se o tópico é relevante para toda a organização;
  • se não é relevante para todas as operações, deve-se listar as operações nas quais o tópico é material;
  • se é relevante fora da organização, esclarecer para quais stakeholders ou grupos de stakeholders e em quais localizações geográficas o tópico é material. 
     
  • A organização também deve deixar claro qual o papel da alta gestão da empresa no processo de materialidade.

 

5) Quais as implicações dessas mudanças para o relatório de sustentabilidade?

  • A ênfase no que é material incentiva as organizações a fornecer apenas informações essenciais
  • Os relatórios se tornam mais estratégicos, mais críveis e mais fáceis de ler e navegar
  • Os tópicos materiais passarão a ser mais detalhados
  • O foco sai do relato e vai para a gestão

 

Acompanhe a segunda parte!